I.

A chuva que caia, caia tão repente. Em seus pingos ritmados, sua música tocava serena. Que sinfonia melancólica. A escuridão invadia o aposento aos poucos, mas com firmeza de quem aparenta não querer nada. Estava escuro, mas não o suficiente a ponto de se tornar um breu, de modo que todas as formas de meu quarto estavam visíveis: a minha escrivaninha (que acomodava uma pilha de livros, ainda para serem lidos), um enorme armário (uma muralha contra a parede) e uma cama vazia (que outrora pertenceu à meu irmão). Uma janela semi-escondida atrás das cortinas dava forma à sala. Era ali, que na minha cama, eu estava deitado.

Estava quase consciente, mais pra lá do que pra cá. Ouvia de leve o som da quietude que reinava sobre o lugar. Tudo estava aonde deveria estar, todos eram quem deveriam ser. E eu ali deitado sonhava acordado. Estava tudo na mais calma paz.

Mas as trevas que sob mim recaiam, escondiam-me o mundo e todas as suas coisas. Ali visível na escuridão clara do crepúsculo cinzento formas indistintas me observavam de longe. Rostos distantes de nomes esquecidos julgavam-me em silêncio. E o vazio, aquele no qual nunca fora realmente preenchido, tornava-se cada vez mais presente. Sufocava-me aos poucos a falta do ser.

Mesmo assim, distrai-me sonhando com vidas que nunca tive. Palavras nunca ditas eram professadas com ansiedade. Amores não vividos iam e vinham como num estalar de dedos. A cada devaneio, uma nova chance de ser feliz. Só então pude contemplar a vida em toda sua imensa gama de possibilidades. Mas sempre ficava preso na ponta da língua uma pergunta amarga. Por que?

Buscava em meu passado algo que pudesse me explicar. Raciocinava, duvidava, tentava entender. Secretamente, tinha esperança de encontrar uma resposta simples, uma certa epifania ou quem sabe até mesmo um Deus ex machina que solucionasse tudo. Mas perdia-me na vida e em suas complexidades. Enlouquecia-me com a falta de respostas. O tempo estava passando, será que não podia ver? Mas travava de medo ao pensar no que havia de ser feito. O relógio andava, corria e aquilo que devia fazer não fazia. Já passei por isso antes, já cheguei à conclusão. Bastava o simples ato de tomar uma atitude que dali para frente eu descobriria por conta própria. E os minutos se tornavam horas, horas se tornavam dias e adsim sucessivamente. Me assustava ao entender que o tempo que passava não podia mais ser recuperado. Cada vez mais percebia os arrependimentos que acumulavam e os sonhos que fracassavam. E o silêncio gritava enquanto o relógio tiquetaqueava me lembrando daquilo que está por vir…

E então, o silêncio. Acordei. Será que tinha sonhando? Certamente de nada eu me lembrava.

Voltando a ativa (kinda)?

Olá. Acho que estou de volta, depois de um tempo que fiquei sem vontade de escrever. De lá para cá eu estive tentando fazer um projeto. Agora que estou motivado, vou tentar puxar esse projeto pra frente. É meio que um romance que eu estou escrevendo e eu estou postando os rascunho pois assim eu posso medir como a minha história está indo (isso se tiver alguém que leia o meu blog). Anyway, vou tentar postar semanalmente os rascunhos desta história pra ver se finalmente desarquivo meu projeto.

Ah, quase me esqueci. Caso estranhe a falta de títulos é porque estou postando apenas os rascunhos da história em si se conseguir ficar motivado, espero poder fazer algo com ela algum dia. Mas até, see you later alligator.

Brown Eye Chocolate Guy

O homem dos olhos,
Sabor de chocolate.
Acendeu a chama da esperança
No fundo do meu ser

Não foi capaz de derreter meu coração
Duro como pedra e frio como gelo
Não foi capaz de esquentar
Os salões vazios da minha.
Não foi nem ao menos capaz
De ligar a fornalha da paixão.

Mas foi capaz de acender a centelha
Que me deu esperanças
De buscar o calor do contato humano.